Blog Antissuborno
Due Diligence pré-M&A: O que é, para que serve e como funciona

Due Diligence pré-M&A: O que é, para que serve e como funciona?

Entenda como a Due Diligence pré-M&A ajuda a identificar riscos e garantir decisões estratégicas em fusões e aquisições.

Você sabe o que é Due Diligence pré-M&A? Nas operações de fusões e aquisições (M&A), a Due Diligence prévia é uma prática decisiva consolidada visando a análise detalhada e criteriosa da empresa alvo, com o objetivo de avaliar riscos, ativos, passivos e a conformidade regulatória antes da formalização do negócio. Desse modo, a Due Diligence consiste basicamente em um instrumento estratégico que fundamenta decisões financeiras, jurídicas e operacionais, influenciando diretamente no sucesso e entendendo a real a viabilidade da transação.

Neste artigo serão abordados os aspectos fundamentais da Due Diligence pré-M&A, detalhando suas modalidades, objetivos e impactos no processo decisório, além de apresentar indicadores e dados relevantes sobre o mercado brasileiro.

 

O que é Due Diligence pré-M&A?

A Due Diligence pré-M&A é um processo estruturado de análise e verificação conduzido antes da conclusão de uma operação de fusão ou aquisição (M&A – Mergers and Acquisitions). Em outras palavras, é uma investigação profunda que envolve o exame de documentos, contratos, passivos, obrigações legais, estrutura societária, situação fiscal, trabalhista, ambiental e financeira da empresa-alvo. O objetivo é fornecer à parte compradora uma visão realista da empresa a ser adquirida, permitindo decisões embasadas e mitigando riscos da transação.

Diferente de uma simples auditoria contábil, a Due Diligence tem caráter multidisciplinar e estratégico, visando identificar contingências, inconsistências e riscos ocultos que possam impactar o valor do negócio ou comprometer sua viabilidade futura. Também permite avaliar o grau de conformidade regulatória e os fatores que afetam diretamente a precificação, as condições contratuais e a estrutura do acordo.

Lembrando que Due Diligence significa, literalmente, “diligência devida” e corresponde a uma investigação minuciosa realizada por compradores, investidores ou consórcios antes de adquirir ou investir em uma empresa. O escopo envolve desde áreas jurídicas, financeiras, contábeis, fiscais, operacionais, ambientais e até tecnológicas, dependendo da complexidade do negócio.

Assim, o principal propósito é identificar passivos ocultos, contingências legais, questões tributárias não regularizadas, pendências trabalhistas, riscos ambientais e qualquer informação que possa afetar o valor da empresa ou a viabilidade do investimento.

 

Tipos de Due Diligence

No Brasil, as principais categorias de Due Diligence são:

  • Due Diligence Jurídica: Avaliação de contratos, litígios, propriedade intelectual, licenças e compliance regulatório;
  • Due Diligence Financeira e Contábil: Revisão de demonstrações financeiras, fluxo de caixa, endividamento, práticas contábeis e auditoria de resultados;
  • Due Diligence Fiscal: Verificação de tributos pagos, créditos fiscais, processos fiscais em andamento e contingências tributárias;
  • Due Diligence Trabalhista: Análise de contratos de trabalho, passivos trabalhistas, ações judiciais e cumprimento da legislação;
  • Due Diligence Ambiental: Avaliação de riscos relacionados à conformidade ambiental, passivos e licenças.

Cada uma dessas vertentes traz uma contribuição específica para o diagnóstico das condições e dos riscos da empresa-alvo.

 

Como funciona a Due Diligence pré-M&A?

O processo se inicia com a solicitação formal de documentos e informações pela equipe compradora. Em seguida, equipes multidisciplinares (advogados, contadores, consultores financeiros e ambientais) realizam análises aprofundadas e elaboram relatórios técnicos que indicam os riscos, pontos críticos e oportunidades.

A fase final é composta de reuniões para discussão das descobertas e, se necessário, a renegociação dos termos contratuais, ajustes no preço ou inclusão de cláusulas de garantia (Escrow, Earn-out etc.).

Segundo levantamento da EY Brasil (2024), o mercado de M&A no país movimentou R$ 400 bilhões em 2023, com aumento de 12% em relação ao ano anterior. A Due Diligence prévia foi identificada como fator decisivo para 85% das operações que apresentaram desempenho positivo no primeiro ano após a conclusão.

Além disso, pesquisa da Deloitte Brasil (2023) indica que empresas que investem em Due Diligence multidisciplinar conseguem reduzir em até 30% as contingências legais pós-negociação, reforçando o impacto financeiro positivo desse procedimento.

Por fim, vale frisar que a efetividade da Due Diligence depende da qualidade das informações fornecidas pela empresa-alvo, do alinhamento entre as equipes envolvidas e da experiência técnica dos consultores contratados. Por esse motivo, havendo falhas na comunicação, falta de documentação ou análise superficial o resultado estará comprometido.

Importância da Due Diligence pré-M&A para mitigar riscos

Alguns estudos recentes realizados pela PwC Brasil,  apontam que 60% das operações de M&A no Brasil falham em entregar o valor esperado, muitas vezes devido a riscos não identificados previamente. A Due Diligence pré-M&A é a ferramenta principal para reduzir esse índice, proporcionando conhecimento profundo sobre a situação da empresa adquirida.

Outro ponto decisivo proporcionado pela Due Diligence é a formação de um “Valuation” tecnicamente embasado, considerando os demonstrativos financeiros históricos, a performance operacional, as projeções de crescimento e riscos setoriais. A referida análise reduz distorções no valor da empresa-alvo e mitiga assimetrias entre as partes, favorecendo um equilíbrio nas condições econômicas da transação.

Desse modo, com acesso a dados aprofundados, a parte adquirente consegue estruturar melhor a negociação, ou seja, de forma mais estratégica, definindo cláusulas específicas no contrato de compra e venda, tais como mecanismos de ajuste de preço vinculados a contingências identificadas, obrigações de indenização e garantias contratuais e isso reduz a exposição a passivos ocultos e traz mais previsibilidade jurídica.

A Due Diligence também proporciona uma leitura objetiva sobre a realidade operacional da empresa-alvo, o que permite calibrar expectativas e alinhar premissas pós-aquisição, evitando conflitos e desalinhamentos após o fechamento. Da mesma forma, a análise consegue revelar ativos subutilizados ou sinergias operacionais com alto potencial de retorno, contribuindo diretamente para a criação de valor na integração.

Diante da sua complexidade e importância, a ausência ou realização superficial dessa análise poderá acarretar passivos ocultos, ações judiciais futuras, necessidade de contingenciamento financeiro e impactos negativos na reputação corporativa. Portanto, a Due Diligence é um escudo preventivo, permitindo que o comprador formule estratégias de mitigação ou renegociação das condições do negócio.

 

Conclusão

A Due Diligence pré-M&A é indispensável, pode-se entender esse tipo de Due Diligence qualificada como um diferencial competitivo que protege os investidores e as empresas envolvidas contra inúmeros riscos, sobretudo perdas financeiras e danos reputacionais.

Se você gostou deste conteúdo, compartilhe e comente e ajude a difundir informações relevantes!

Gabriela Maluf

Founder & CEO da Thebesttype, empreendedora, escritora, advogada com 18 anos de experiência, especialista em Compliance Trabalhista, Relações Trabalhistas, Sindicais e Governamentais, Direito Público e Previdenciário, palestrante com mais de 200 eventos realizados e produtora de conteúdo técnico otimizado em SEO para sites e blogs. Atualmente ajuda empreendedores e profissionais liberais a crescerem digitalmente por meio de estratégias de Marketing de Conteúdo.

Curso de Auditor Líder

Your Header Sidebar area is currently empty. Hurry up and add some widgets.